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Acordo Brasil-Ucrânia - 12/02/2004 - 15:04
Negócio de US$ 250 mi
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O futuro programa espacial brasileiro está nas mãos do Congresso. Depende das comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara e do Senado a ratificação do acordo entre Ucrânia e Brasil — que cria uma empresa binacional, a Alcântara Cyclone Space, para explorar o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e para projetar e comercializar serviços de um lançador de última geração, o Cyclone 4. A nova empresa, com sede em Brasília, será formada pela associação da Infraero com a Yuzhmash e a Yuzhnoye da Ucrânia.
O Cyclone 4 foi escolhido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) para suceder o VLS1, que explodiu na plataforma de lançamentos do Centro de Alcântara em agosto do ano passado. Segundo o diretor do Departamento de Relações Internacionais da Agência Nacional Espacial da Ucrânia, Oleksander Serdyuk, técnicos do Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA), de São José dos Campos, participarão do desenvolvimento do lançador capaz de colocar em órbita uma carga de 5,5 mil quilos.
Segundo fontes da AEB, valores equivalentes a US$ 150 milhões já foram reservados pelo governo federal para serem aplicados na nova joint venture durante os próximos três anos. Enquanto o Congresso não sanciona o acordo, Oleksander Serdyuk permanece em Brasília, trabalhando na comissão que define estatutos e regulamentos do futuro negócio.
O acordo foi firmado durante a visita do presidente da Ucrânia, Leonid Kuchma, ao Brasil, em outubro do ano passado, e sancionado por unanimidade em fevereiro pelo Parlamento ucraniano, que aprovou a liberação de US$ 90 milhões para a construção do foguete, e US$ 50 milhões para a futura empresa.
A Ucrânia dispõe de avançada tecnologia para a fabricação de foguetes, mas não possui um centro de lançamento próprio. Usa as instalações de Baikonur, no Cazaquistão, e de Plesyetsk, na Rússia. Com a vantajosa localização de Alcântara, os foguetes ucranianos poderão ser lançados com 30% a mais de carga, o que os torna mais competitivos no mercado.
Para habilitar o Centro de Lançamentos de Alcântara serão necessários investimentos da ordem de US$ 150 milhões nos próximos três anos. Metade desse valor — dividido em partes iguais pelos países — será destinado ao estabelecimento do sítio Cyclone-4, com fabricação e montagem de uma torre de serviços e de uma plataforma de lançamentos para o foguete, além de uma fábrica de combustível líquido.
O governo brasileiro se responsabilizará pelas obras de instalação de um porto e uma nova rede de estradas, com 25 quilômetros. A infra-estrutura de acompanhamento dos vôos, radares, equipamentos de telemetria e computadores também será modernizada.
O novo empreendimento abre, para os dois países, um mercado anual de US$ 250 milhões, hoje explorado por Estados Unidos, Rússia, China, União Européia e Ucrânia — Japão, Índia, Paquistão e Israel já lançaram seus próprios satélites, mas não vendem serviços a outros países. O primeiro disparo, a partir de Alcântara, ocorreria em 2006.
Por Pedro Paulo Rezende
Correio Braziliense
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