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Pesquisa Espacial - 29/12/2004 - 02:19
Agência fica mais perto de voltar a voar em 2005
A agência espacial americana (Nasa) completou o desenvolvimento de um tanque de combustível modificado para eliminar uma das causas da explosão do ônibus espacial Columbia, em fevereiro de 2003, que matou os sete astronautas a bordo. Os responsáveis pelo projeto consideram o novo tanque um passo importante para a retomada do programa de vôos tripulados.

O primeiro tanque reconfigurado deve ser enviado ainda esta semana ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida, para uso no lançamento do ônibus Discovery, previsto para maio ou junho. "Estamos muito perto. Podemos sentir um gostinho de vitória ao despacharmos o tanque", comentou Sandy Coleman, gerente do projeto no Centro de Vôos Espaciais Marshall.

As mudanças têm como objetivo evitar a separação de pedaços do material de isolamento durante a partida. No último lançamento do Columbia, em 16 de janeiro de 2003, um pedaço do tanque se soltou e atingiu a asa esquerda da nave. O dano não foi detectado durante os 16 dias de missão e acabou causando o colapso do ônibus espacial na reentrada na atmosfera terrestre.

O material de revestimento evita a formação de gelo quando o tanque é enchido com quase 2 milhões de litros de hidrogênio líquido supergelado e oxigênio. No novo tanque, a Nasa reconfigurou as áreas das quais pedaços poderiam se soltar, além de ter instalado aquecedores para evitar o congelamento. Câmeras permitirão que funcionários de terra verifiquem eventuais danos durante a subida do ônibus.

A Nasa também retreinou os técnicos que instalam o revestimento para reduzir as falhas entre as placas. As lacunas podem permitir a entrada de gases, que se expandem na fase de lançamento, causando a ruptura de pedaços de revestimento.

Os engenheiros gastaram 18 meses redesenhando o tanque externo e incorporando mudanças recomendadas pelo comitê de investigação do acidente com o Columbia. Os tanques, compostos de cerca de 500 mil peças, são construídos pela Lockheed Martin em instalações da Nasa em Nova Orleans. A agência tinha 11 tanques prontos antes do acidente.

Teste mais importante será realizado em março

O primeiro tanque modificado será despachado amanhã ou sexta-feira, para seguir até a Flórida, chegando ao Centro Espacial Kennedy em cinco ou seis dias. Lá, funcionários instalarão os tanques e os foguetes propulsores no Discovery. Em março, será realizado um teste, com injeção de combustível, para verificar a formação de gelo.

Sandy Coleman disse que é impossível eliminar completamente o problema de pedaços de revestimento se soltando, mas acredita que as mudanças permitirão evitar o tipo de dano que causou a explosão do Columbia.

"Trabalhamos muito tempo e muito duro nesse veículo", comentou Ron Wetmore, vice-presidente da Lockheed Martin responsável pelo projeto do tanque. "Será o mais seguro e mais confiável tanque que já entregamos", garantiu.

Originalmente, cada tanque custava US$ 40 milhões, mas a Nasa não revelou estimativas para a versão remodelada. Na primeira missão da retomada dos vôos, de um total de três em 2005, o Discovery deverá levar uma tripulação de sete pessoas até a estação espacial internacional (ISS). Desde a explosão do Columbia, astronautas e suprimentos chegam e saem da ISS em naves russas Soyuz e Progress.

Ontem, a agência espacial russa disse que, se os americanos não voltarem logo a realizar vôos à ISS, terá de cobrar pelos serviços de transporte. Os russos já se queixaram em outras oportunidades dos custos das viagens. Segundo um porta-voz, a partir de 2006, a agência só levará astronautas americanos mediante pagamento. Este, no entanto, poderia acontecer com a compensação de débitos que a Rússia tem como integrante do projeto ISS.
Jornal do Commercio - PE
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