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Inclusão Digital - 26/04/2005 - 03:24
Cobra leva banda larga ao PC Conectado
Empresa do BB tem estratégia focada na conexão de alta velocidade para programa de inclusão digital do governo federal. A Cobra Tecnologia, empresa controlada pelo Banco do Brasil (BB), promete balançar mais uma vez os competidores que estão aderindo ao PC Conectado. Deverá anunciar no dia primeiro de maio, Dia do Trabalhador, e por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que oferecerá a banda larga e acesso a Internet para as camadas de baixa renda, o foco principal do programa de inclusão digital do governo.
Fontes do Palácio do Planalto revelaram ao caderno de TI, que o custo pelo acesso a rede mundial de computadores não deverá ultrapassar a R$ 30,00. Porém, a vantagem é que, além de ser conexão de alta velocidade, o usuário não terá limite de tempo de navegação.

Até agora os concorrentes que já anunciaram adesão ao programa de inclusão digital somente garantiram o acesso dos usuários a Internet por meio de linha telefônica, que custará na faixa dos R$ 7,50 e com tempo limitado (15 horas/mês). Navegar na internet por esse sistema demanda tempo e paciência, pois a velocidade máxima que se consegue nesse tipo de conexão não passa de 56kbps (kilobytes por segundo). Já na banda larga a menor velocidade oferecida pelas empresas provedoras deste serviço é de 128 kbps.

Segundo técnicos do governo, a Cobra promete anunciar outros benefícios para os consumidores de baixa renda que entrarem para o programa PC Conectado, que na sua versão atenderá pelo nome de "PC Cidadão". Segundo os mesmos técnicos, a proposta da Cobra seria a que mais se aproxima, até agora, das metas iniciais de inclusão digital previstas pelo governo.

Quando o governo se viu às voltas nos últimos meses com a indisposição de boa parte dos grandes fabricantes de computadores de participar do programa PC Conectado, se os computadores não fossem vendidos por R$ 1,7 mil; ao invés do proposto pelo Executivo, na faixa dos R$ 1,4 mil, a Cobra Tecnologia sacudiu o mercado anunciando que teria uma máquina por apenas R$ 1,3 mil. Graças à formação de um consórcio com os Correios e o Banco do Brasil para a produção, comercialização e distribuição dos equipamentos a empresa promete vender para a classe C através de financiamentos de longo prazo e juros baixos. O programa da Cobra conta ainda com ampla rede de assistência téc-nica fornecida por pequenas e médias empresas de informática filiadas à Federação Nacional das Empresas de Informática (Fenainfo). Isso provocou uma correria dos empresários e alguns já se adiantaram anunciando parcerias com grandes lojas de varejo. A Positivo, por exemplo, fechou recentemente uma parceria com a rede varejista Ponto Frio, para oferecer um computador ao preço de R$ 1.299,00. Terá processador da AMD Sempron 2200, com 128 Megabytes de memória RAM. O disco conterá espaço para armazenamento de 30 Gigabytes, gravador de CD, placa de fax modem de 56kbps. Seu sistema operacional será de código aberto (Linux) e a suíte de escritório da Star Office.

A Sun Microsystems, por sua vez, anunciou que pode tornar disponível no Brasil o terminal Sun Ray, que nos Estados Unidos custa na faixa dos US$ 300,00. Uma eventual fabricação no País reduziria esse preço, segundo a fabricante norte-americana.

Enquanto isso, os técnicos conseguiram convencer o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para conceder isenções de PIS/Cofins de até 9,25% (percentual máximo cobrado no setor), para determinadas configura-ções de computadores. A tendência é que ao longo das próximas semanas outros grandes fabricantes anunciem a adesão ao programa do governo.

De qualquer modo, os recentes anúncios de empresas querendo aderir ao PC Conectado trouxe um alívio para os técnicos do governo na área de TI, já que o programa de inclusão digital tornou-se a menina dos olhos do presidente Lula.

O conjunto de medidas para adesão ao programa de inclusão digital está previsto para ser anunciado no próximo dia 15, se até lá o governo conseguir colocar em dia a parte burocrática referente aos incentivos fiscais e as regras de adesão. Porém, a data de primeiro de maio já é tida como certa no Palácio do Planalto, pois Lula gostaria de dar a notícia como um "presente" para a população de baixa renda.

Luiz Queiroz
Gazeta Mercantil
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