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Pesquisa Espacial - 02/07/2005 - 02:09
Deep Impact atinge o cometa na segunda
Missão suicida tem como objetivo estudar a composição do Tempel 1
Como um camicase espacial, uma pequena sonda de 370 quilos se sacrifica pela ciência. Às 2h52 de segunda-feira (horário de Brasília), o impactador da sonda Deep Impact, da Nasa, a agência espacial americana, vai se jogar contra o cometa Tempel 1 para que os astrônomos possam estudar a composição do corpo celeste.

Cometas são como bibliotecas da história cósmica, compostos de gelo, gás e poeira do início do Sistema Solar, uns 4,5 bilhões de anos atrás. Seu estudo detalhado pode fornecer novos parâmetros sobre como surgem os planetas.

O Deep Impact foi lançado

Impactador se solta amanhã da sonda e parte em direção ao cometa Tempel 1

em janeiro e persegue o Temple 1 deste então, descrevendo uma rota alternativa que se cruza com a órbita do cometa na segunda-feira, a 133 milhões de quilômetros da Terra. Um dia antes, o impactador vai se soltar da sonda para ser lançado na direção do corpo.

A partir daí, não há mais retorno. O impactador vai se chocar com o Tempel 1 a uma velocidade de 9,2 km/s, desintegrando-se. Uma cratera do tamanho de um campo de futebol pode se abrir. A sonda que segue atrás terá 13 minutos para analisar o material liberado e tirar fotos, antes de acionar uma capa para protegê-la dos fragmentos. A análise da onda de choque provocada no impacto servirá para definir sua densidade: se o cometa for duro, a energia do choque será contida e a onda vai se reverberar. Um corpo poroso dará um resultado diferente. 'Esta é uma missão ousada', afirma Peter Schultz, geólogo planetário da Universidade Brown, nos EUA, envolvido na missão. Apesar de ter simulado o choque diversas vezes, a verdade é que ninguém da equipe de pesquisadores sabe exatamente o que vai acontecer. 'Não sabemos se o projétil vai rebater, abrir uma cratera ou atravessar o cometa', admite o diretor do projeto, Richard Grammier.

A curiosidade científica levará astrônomos profissionais a voltarem as lentes de 60 observatórios, em 20 países, para o evento. Os dados serão reunidos com as leituras obtidas pelos telescópios espaciais Hubble, Chandra e Spitzer. Para a ocasião, até um satélite aposentado será reativado. O Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian vai religar o Satélite Astronômico de Ondas Submilimétrica (SWAS), inativo há 11 meses após cinco anos e meio de operações, durante os quais descobriu a evaporação de cometas em torno de uma estrela gigante que morria. 'As 24 horas seguintes ao impacto fornecerão os dados mais espetaculares da história da ciência dos cometas', diz Michael A'Hearn, da Universidade de Maryland, integrante da equipe da Nasa.

A missão Deep Impact, que custou US$ 330 milhões, é a 8ª dentro do programa de exploração do Sistema Solar da Nasa - também fazem parte uma tentativa de trazer poeira cósmica para a Terra e uma sonda feita para pousar em um asteróide.

The Boston Globe, EFE e Reuters
O Estado de S. Paulo
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