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Informática - 20/07/2005 - 03:26
Software livre divide o governo
Verba solicitada para a mudança é bem maior do que o gasto com a compra de novos computadores
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Jamil Chade - Correspondente em Genebra
A estratégia de usar o software livre nos órgãos públicos é motivo de uma intensa briga política no do governo. O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), ligado à Casa Civil da Presidência, propôs um programa de substituição dos atuais softwares privados para o livre. O orçamento do projeto, porém, acaba de ser vetado pelo Ministério do Planejamento, pois o ITI pediu um orçamento quatro vezes maior que o que seria necessário.
O autor do projeto é o diretorpresidente do ITI, Sergio Amadeu, identificado por técnicos do governo como afilhado político do ex-ministro José Dirceu e que teria ficado órfão de seu apoio no governo.
Substituição ainda não foi feita em nenhum ministério
Segundo altas fontes do Ministério do Planejamento, o projeto previa a substituição dos softwares, estratégia que todos na administração federal estão de acordo. O software livre desobriga o governo de pagar pelos royalties de um software produzido por uma multinacional do setor de informática.
A tendência pela substituição está sendo observada até na Europa, onde os governos querem reduzir custos. A Suíça, por exemplo, já opera praticamente todos seus escritórios públicos com o software livre.
Mas, segundo as fontes do Planejamento, o orçamento pedido por Amadeu era superior ao valor que custaria comprar novos computadores para toda a administração.
Pelos cálculos do ministério, cada computador que fosse modificado geraria um gasto de mais de R$ 3 mil. A compra de um novo computador, porém, sairia pelo menos R$ 1 mil mais barato. Para a transformação de servidores, o projeto previa R$ 23 mil por unidade.
No total, Amadeu havia pedido R$ 200 milhões para o projeto do software livre. O Planejamento, porém, acredita que ele poderia fazer a imigração dos softwares por só R$ 50 milhões.
Outra diferença entre o ITI e o Planejamento é quanto ao controle do orçamento.
A idéia de que a verba fique na mão de Amadeu para aplicá-la em todos os ministérios não agradou aos técnicos no Planejamento, que propõem que cada pasta adote seu próprio programa de substituição de software dependendo das necessidades e recursos.
Há poucos meses, um acordo entre o Planejamento e Amadeu permitiu que o ITI iniciasse o processo de substituição em cinco ministérios, dos quais nenhum até hoje foi completado. Amadeu ainda propôs que fosse feito um decreto para obrigar a troca dos softwares.
Para os técnicos em Brasília, trata-se de uma contradição obrigar a implementação de um sistema que tem como característica principal ser livre.
As divergências sobre o caminho que o País deve tomar para passar a usar software livre não se limitam a custos. Para o Planejamento, a melhor estratégia é começar trocando os servidores e não os desktops, como está sendo feito até agora.
O Estado de S. Paulo
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