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Inclusão Digital - 14/10/2005 - 05:06
Computador para todos
Programa Cidadão Conectado vai viabilizar compra de computadores de até R$ 1,4 mil ,com parcelamento em 24 vezes, a juros baixos, nas próximas duas semanas. Rede Extra já tem programa implantado para Pcs de até R$ 2,5 mil
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Gustavo Marcondes
Depois de vários adiamentos e mudanças de nome, o programa Cidadão Conectado (ex-Computador Para Todos, ex-PC Conectado), do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), finalmente chega ao consumidor nas próximas semanas. Com o objetivo de diminuir a enorme distancia entre os brasileiros “conectados” – os usuários de internet que mais passam tempo na rede por mês em todo mundo – e a grande massa que não tem acesso à tecnologia, o Cidadão Conectado facilitará a venda de computadores de até R$ 1.400, divididos em 24 meses a juros baixos.
A expectativa do MCT é que os computadores produzidos para o programa cheguem a lojas de todo o país dentro de no máximo duas semanas. Estima-se que nos primeiros seis meses sejam vendidos 500 mil computadores, mudando o cenário da inclusão digital (e social) no país. Para que fosse possível a venda nessas condições, o governo daria isenção total do PIS e Cofins aos fabricantes, mas como a “MP do Bem” caiu, os computadores deverão chegar com preço 9,25% mais alto que o previsto.
O computador deve sair da loja pronto para ser usado, com hardware, sistema operacional e um conjunto de aplicativos. O equipamento terá a configuração de um micro convencional, com um monitor de vídeo de 15 polegadas, teclado, mouse, um micro processador, um HD de 40 GB, um FLOP, um CD-Rom, um disco flexível de 1,44 MB, uma memória de 128 MB e um fax modem. Ele será vendido com um pacote básico de 27 aplicativos de software livre, como para processamento de imagens, anti-vírus e navegação na internet. Todo o sistema operacional do computador será em código aberto.
Mesmo com o fim da “MP do Bem”, como ficou conhecida a Medida Provisória 252, os bancos federais estabelecerão linhas de crédito específicas para a compra dessas computadores. A intenção é facilitar o financiamento tanto para os compradores finais quanto para as empresas fabricantes e para as lojas que revendem os produtos.
O Banco do Brasil lançou um financiamento que pode ser feito diretamente nas lojas que possuam equipamentos com o selo “Cidadão Conectado” e que sejam afiliadas à Visanet. É necessário que o comprador possua cartão de crédito ou débito do Banco do Brasil com a bandeira Visa. O Banco financia microcomputadores até o valor de R$ 1,200, com taxa de juros de 2% ao mês e prazo de até 24 meses. A prestação mínima é de R$ 20 e a tarifa de abertura de crédito de 3% sobre o valor da compra, com mínimo de R$15. A primeira parcela vence 59 dias após a data da liberação do financiamento.
“O computador é hoje um bem básico para a formação profissional de muitos trabalhadores. O BB Crediário PC Conectado contribui para democratizar o acesso à compra desse tipo de equipamento e às oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho”, avalia o vice-presidente de Varejo e Distribuição do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto.
Apesar do modelo de financiamento estar aprovado o Banco do Brasil aguarda que os computadores cheguem às lojas para começar a liberar o crédito. Mesma situação da Caixa Econômica Federal, que também financiará valores até R$ 1.200 para o consumidor final com juros de 2% ao mês e um prazo de até 24 meses. Somente os cerca de 30 milhões de clientes da caixa terão acesso ao financiamento.
Varejo e fabricantes
A rede varejista do país que comercializará os micros do programa terá apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que estabeleceu financiamento para varejistas que repassarem os juros cobrados de até 3% ao mês para o consumidor final. O BNDES faz ainda uma distinção para as lojas que cobrarem juros de até 2% ao mês. Se cobrar essa taxa, a rede pagará pelo financiamento o valor que se refere à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) acrescida de juros de 1% ao ano, em vez de 4,5% ao ano.
Depois de analisar as necessidades de financiamento também dos fabricantes de computadores do programa, o BNDES estendeu a linha para eles. Valores a partir de R$ 3 milhões são financiados diretamente no Banco. Para valores menores, o financiamento é na agência bancária de preferência do interessado, mas com intermediação do BNDES.
Para monitorar se o varejo estará realmente repassando os benefício do Cidadão Conectado ao compradores, o BNDES vai cobrar relatórios trimestrais das redes que pedirem o financiamento. Esses relatórios serão de auditorias cadastradas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e garantirão os juros de até 3%.
Os fabricantes podem se credenciar para produzir o “computador para todos” na página na internet do Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável por esse credenciamento. O formulário é similar ao utilizado pelo MCT para credenciar instituições que queiram usufruir dos benefícios da Lei da Informática. O roteiro para o pedido de credenciamento está no endereço www.mct.gov.br/sepin.
As empresas que já usufruem dos incentivos da Lei da informática e que já declararam que cumprem o Processo Produtivo Básico são atendidas mais rapidamente. Serão apenas 48 horas para o MCT expedir o certificado para que elas possam colocar suas soluções no mercado. O objetivo do MCT é, além de promover a inclusão digital da população, organizar a produção de computadores de qualidade no país.
Extra
Enquanto os computadores produzidos para o Cidadão Conectado ainda não chegam às lojas, outra frente do projeto já está colocada em prática. É a mesma isenção total do PIS e Cofins, aprovada na “MP do Bem”, para PCs de até R$ 2.500 com qualquer configuração. As duas primeiras lojas varejistas do país a adotar as vendas com financiamento baixo foram o Extra e a Magazine Luiza.
O Extra vende desde julho computadores com preço reduzido em função da isenção do PIS e Cofins. Todas as máquinas de valor até R$ 2.500 da lojas tiveram preço reduzido. A máquina específica do programa Cidadão Conectado também já está à venda na loja, mas o financiamento ainda não foi liberado. O computador mais barato do Extra é um processador com 128 MB de memória, 40Gb de HD, CD-Rom, monitor de 15 polegadas e sistema operacional Linux. Custa R$ 1.290. De forma geral, o Extra estima que os aparelhos beneficiados pelo programa são barateados em até 10%.
“É uma forma de atingir o público que ainda não tem acesso a computadores. O Extra, mesmo sem o financiamento do governo, tem planos de financiamento próprio, sempre seguindo o posicionamento de oferecer melhores condições ao consumidor. Prevemos prestações de até R$ 70, com promoções e parcelamento para atingir esse público que ainda não tem um computador e contribuir para o processo de inclusão digital no país”, explica a gerente de categoria eletro do Grupo Pão de Açúcar, Rita Bellizia.
Uma segunda fase do programa Cidadão Conectado será o barateamento do preço do acesso á internet. Mas as formas de se levar condições boas ao consumidor final ainda estão sendo negociadas entre o governo, as operadoras de telefonias e os provedores. A expectativa é que se dobre o número de internautas brasileiros com a disseminação das duas fases do programa. O valor que se tem estimado até agora é a cobrança de R$ 7,50 por 15 horas mensais de acesso discado. O benefício provavelmente será para aqueles que não utilizaram suas linhas telefônicas nos últimos seis meses para acessar a internet.
Correio Braziliense
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