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Investimentos em C&T - 05/12/2005 - 04:11
Academia é o motor do pólo digital de Curitiba
Parceria universidade-empresa reproduz modelo do Vale do Silício na área de TI
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Amauri Segalla
Marcel Malczewski é um daqueles ases de informática que conseguiram fazer sucesso de forma meteórica. Em 1989, quando tinha 24 anos, criou a Bematech, hoje uma das principais empresas do pólo digital de Curitiba. O curioso é que a empresa surgiu de uma dissertação de mestrado. Na verdade, duas. Ele e seu colega Wolney Betiol, que também fazia mestrado na área de tecnologia, juntaram seus estudos sobre impressoras e convenceram o Instituto de Tecnologia do Paraná a investir na fabricação do produto. 'Fomos a primeira empresa incubada de tecnologia do Estado', diz Malczewski.
Pouco tempo depois, os dois fecharam um negócio espetacular. Os bancos começavam a informatizar seus sistemas e a Bematech conseguiu assinar um contrato para fornecer, de uma tacada só, 8 mil impressoras (aquelas que autenticam pagamentos) para o Bamerindus. De uma hora para outra, a empresa passou a existir no mapa, desenvolvendo e fabricando equipamentos para gigantes como HP e IBM. Em 16 anos de existência, a Bematech cresceu velozmente e, atualmente, são 350 funcionários e, segundo projeções dos sócios, o faturamento deverá chegar a R$ 145 milhões em 2005. Por ano, a empresa vende no mercado nacional 70 mil impressoras para automação comercial (de cada três equipamentos desses instalados nas lojas brasileiras, dois são Bematech), 8 mil CPUs, 20 mil equipamentos periféricos (teclados e leitores de códigos de barra) e 6 mil caixas registradoras. Não à toa, Malczewski chama o pólo digital de Curitiba de o 'Vale do Silício brasileiro'. Exageros à parte, o fato é que o conjunto de aproximadamente 1,5 mil empresas produtoras de tecnologia de ponta instaladas na capital paranaense tem algumas características parecidas com as empresas que fizeram história na Califórnia. ____________________
Capital paranaense possui cerca de 1,5 mil empresas de informática _____________________
Um dos aspectos que tornam possível a comparação entre o Vale do Silício e o pólo de tecnologia de Curitiba é a estreita ligação entre o meio acadêmico e as empresas. A própria Bematech, surgida a partir de dissertações de mestrado, é um exemplo clássico dessa parceria. Com suas 3 universidades (uma delas, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, com seus 14 mil alunos) e 35 faculdades, além de 5 escolas profissionalizantes com especializações na área de informática, Curitiba fornece para as empresas uma mão-de-obra altamente qualificada. 'Poucas cidades no Brasil podem se orgulhar de possuir um parque estudantil tão abrangente', diz Juraci Barbosa Sobrinho, presidente da Curitiba S.A., empresa responsável pelas ações de desenvolvimento do município. Segundo a instituição, em 2005 as 1,5 mil empresas curitibanas que possuem tecnologia de ponta investirão R$ 100 milhões em pesquisas e novos produtos. Vale lembrar que muitas dessas empresas pertencem a jovens formados na própria região.
As histórias de sucesso de empreendedores locais revelam a importância dos cursos ligados à área de tecnologia para o crescimento do pólo digital de Curitiba. Criada há 10 anos por Hélio Galvão Giffoni, professor de ciência da computação da PUC-Paraná, a Malisoft deve sua evolução aos alunos do próprio curso ministrado por Giffoni. 'Chamei vários estudantes para trabalharem na minha empresa', diz ele. Muitos deles contribuíram para o desenvolvimento de alguns dos 18 jogos de celular que a empresa inventou e que foram vendidos para corporações japonesas. Com faturamento na casa de R$ 1,5 milhão, a Malisoft hoje se dedica à criação de softwares para editoração gráfica - a propósito, por encomenda de japoneses.
A capacidade de inovar é outro fator que permite estabelecer semelhanças entre o pólo de Curitiba e o Vale do Silício. Quando planejou sua impressora bancária , a Bematech fez um produto original, que só foi possível graças à criatividade de seus idealizadores.
Primeira multinacional a se instalar na Cidade Industrial de Curitiba, região que concentra as principais empresas da capital paranaense, a Siemens também escolheu Curitiba para desenvolver tecnologias. Em 2003, sua unidade local passou a centralizar a produção de equipamentos de transmissão para telefonia fixa. 'Essa produção é considerada benchmark mundial', afirma João Éber Machado, diretor da fábrica da Siemens em Curitiba. Em 2004, a fábrica foi transformada em plataforma de exportação mundial desse tipo de equipamento.
Uma das razões para os investimentos realizados pela multinacional alemã na região (em 2005 foram aplicados US$ 15 milhões apenas em pesquisas) é justamente a proximidade com o meio acadêmico. 'Temos acordos de cooperação com diversas instituições de ensino que permitem o aprimoramento de nossas pesquisas', diz Machado. Dos 1,5 mil funcionários da Siemens em Curitiba, quase a metade tem o terceiro grau, a maioria deles engenheiros formados nas instituições da região. Outros 140 possuem mestrado ou doutorado. _____________________
Presença de gigantes como a Siemens atrai dezenas de companhias menores _____________________
Gigantes como a Siemens acabam atraindo para a região dezenas de companhias menores, que se especializam em fornecer-lhes peças e equipamentos. Uma dessas empresas-âncora é o Positivo, fundado em 1972 como um cursinho pré-vestibular. Embora seja hoje um dos maiores grupos educacionais do País, boa parte do faturamento de R$ 850 milhões não vem das salas de aula.
Em 2005, 44% da receita se deve à Positivo Informática, braço que fabrica computadores e softwares educativos. Detalhe: os computadores Positivo começaram a ser feitos para equipar as salas da faculdade de informática do grupo. No ano passado, o Positivo levou seus equipamentos para o varejo, chegando a redes como Casas Bahia e Ponto Frio. Hoje, lidera o mercado brasileiro de computadores, com participação de 22% no mercado legal. A expectativa é fechar 2005 com a venda de 350 mil PCs. Uma pesquisa realizada pela Curitiba S.A. confirmou o potencial econômico do pólo tecnológico. Nos últimos 7 anos, o número de empregos na área cresceu 42% na cidade, enquanto o contingente total de trabalhadores formais registrou um aumento de 9%.
O Estado de S. Paulo
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