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Programa Espacial
Publicado em: 10/05/2006 - 12:55
Nenhum país que hoje integra a vanguarda da pesquisa científica e tecnológica mundial abriu mão de implementar, com recursos próprios ou em parceria, um programa espacial completo, com satélites e cargas úteis, veículos lançadores e plataformas de lançamento. O Brasil é um dos 15 países, em todo o Mundo, que decidiu, há 30 anos, desenvolver um programa espacial com esta amplitude. E o único no Hemisfério Sul.

Afinal, apesar do início tardio, o País construiu nas últimas 4 décadas uma comunidade científica e tecnológica robusta, contando hoje com mais de 60 mil doutores, que tem contribuído para inúmeros exemplos de sucesso de desenvolvimento tecnológico, onde teve oportunidade de engajamento. Os mais notáveis são a tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas, dominada pela Petrobrás, e que possibilitará ao País alcançar a auto-suficiência este ano, a fabricação de aeronaves modernas pela Embraer, e a liderança mundial na pesquisa do agronegócio pela Embrapa.

A manutenção de um programa espacial amplo durante décadas requer uma decisão estratégica de sucessivos governos. Ela foi aprofundada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir da centralidade que a ciência, a tecnologia e a inovação passaram a ter, como instrumentos do desenvolvimento e de afirmação da soberania nacional. O orçamento do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), reduzido a R$ 56 milhões em 2002, tem crescido substancialmente no atual governo, alcançando R$ 220 milhões em 2005.

Foram contempladas iniciativas como o Programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, na sigla em inglês), o mais bem-sucedido acordo de cooperação científica já empreendido pelo País. O programa já lançou dois satélites de sensoriamento remoto (CBERS 1 e 2) e lançará mais três, até 2010, fortalecendo a posição do Brasil no mercado internacional de fornecimento de imagens. Os satélites CBERS são essenciais para o programa de monitoramento terrestre, que tem sido um poderoso instrumento para a meteorologia, a previsão de safras e o controle do desmatamento na Amazônia. Através dele, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais distribuiu, gratuitamente, nos últimos dois anos, cerca de 200 mil imagens de nosso território para usuários brasileiros.

Ainda neste ano, a Agência Espacial Brasileira deverá iniciar a construção do Centro Espacial de Alcântara (CEA), no Maranhão, integrando-a ao mercado mundial de lançamentos espaciais comerciais. Já há acordo para lançamentos conjuntos com a Ucrânia e entendimentos com outros países parceiros. Em decorrência da posição privilegiada do CEA em relação à linha do Equador, há uma economia de 20% a 30% na queima de combustível pelos foguetes lançadores, até o ponto de órbita dos satélites. O novo VLS-1, lançador brasileiro, está em construção, e em planejamento o primeiro satélite nacional geoestacionário, fundamental para as telecomunicações em um país com as dimensões continentais do Brasil.

A missão do tenente-coronel Marcos César Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, na Estação Espacial Internacional (EEI), é neste momento a face mais visível do PNAE, que delineia ações para o período de 2005 a 2014. Ela consta do item “Missões Científicas e Tecnológicas”, que guarda estreita relação com a participação do Brasil no programa da Estação Espacial.

Dezesseis países trabalham em conjunto na construção da Estação Espacial, a 360 quilômetros da Terra. A ser concluída em 2010, ela será um laboratório de pesquisa permanente, em órbita, e também base de lançamento para futuras missões a Marte e à Lua. O ambiente da Estação permite a realização de estudos em baixa gravidade, manipulados diretamente pelos astronautas e envolvendo áreas da fronteira científica, como nanotecnologia, biotecnologia e produção de medicamentos.

Os primeiros experimentos selecionados por cientistas brasileiros para testes na EEI estão sendo realizados pelo tenente-coronel Pontes. Outros irão se seguir, em benefício da tecnologia e da inovação nacionais. Entre vários motivos, porque teremos, nos próximos anos, mais brasileiros viajando pelo espaço.

O programa espacial avança com a celeridade que permite a disponibilidade de recursos financeiros. A viagem do astronauta Marcos Pontes – denominada Missão Centenário, em homenagem aos cem anos do vôo de Santos-Dumont no 14-Bis – marca um passo importante, não só em termos científicos. Ela está servindo à popularização do nosso programa espacial e à atração de jovens talentos para a ciência, a engenharia e para a astronáutica. Outros passos virão. Eles são estratégicos para o futuro do País.
Sergio Machado Rezende
Ministro da Ciência e Tecnologia
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