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Amazônia - 03/08/2006 - 03:40
Robótica começa a ser testada na Amazônia

A robótica pode auxiliar os cientistas na tarefa de registrar e interpretar os sinais oriundos das matas e dos rios da Amazônia. Por isso, cerca de 20 pesquisadores do País inteiro - especialistas em peixes elétricos, semiótica, robótica de inspeção, eletro-eletrônica, informática, processamento e análise de sinais, e modelagem ambiental - estão reunidos até amanhã no 2o. Workshop AmazonBOTS, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Para usar robôs nas pesquisas na Amazônia, é preciso muito mais do que adaptar tecnologias já existentes, afirmou Aristides Pavani, chefe da Divisão de Microssistemas do Centro de Pesquisa Renato Archer (Cenpra), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A complexidade do ecossistema demanda o desenvolvimento de novas ferramentas, acrescentou.

Em sua palestra, o botânico Bruce Nelson, também pesquisador do Inpa, explicou o funcionamento dos ecossistemas terrestres na Amazônia. "A pluviosidade é o fator primordial na distribuição da vegetação. Em Santarém, onde o índice de chuvas anual gira em torno de 1.800 milímetros, há cerrado. Em Manaus, onde ele é apenas 400 milímetros mais alto, a floresta é toda densa", exemplificou. Segundo Nelson, como regra geral, "observamos que quando há menos sazonalidade, variação ou diferença entre estação seca e chuvosa, existem mais espécies por hectare".

Um dos projetos em discussão no encontro está sendo chamado de Porakê, embora ainda não tenha nome oficial. As características da descarga natural do peixe elétrico variam de acordo com a qualidade da água, contou o coordenador da iniciativa e pesquisador do Inpa, José Gomes.

Reação a poluentes


Ele informou que "estamos estudando em laboratório como esses animais reagem a determinados tipos de poluentes, com concentrações diferentes". E revelou que o Fundo Setorial de Biotecnologia da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) aprovou recentemente um financiamento, no valor de R$ 500 mil, para a continuidade desses estudos sobre o peixe elétrico. Ao fim de dois anos, o resultado do investimento deve ser um sistema de monitoramento permanente da descarga desses peixes na natureza, a fim de verificar em tempo real a poluição em rios e lagos.

Nesse sistema, os animais monitorados deverão estar confinados em aquários submersos - espécie de piscinas naturais vazadas. Eles serão colocados em áreas com maior risco de sofrer desastre ambiental, como o Distrito Industrial de Manaus ou a bacia petrolífera de Urucu, em Coari, no Amazonas, disse Gomes.

Petrobras faz teste ambiental em campo


O resultado do 1o Workshop AmazonBOTS, realizado em dezembro de 2004, já está sendo testado em campo: o robô ambiental híbrido desenvolvido pelo Laboratório de Robótica de Tecnologia Submarina da Petrobras, já patenteado, deverá ser usado para monitoramento ambiental ao longo do gasoduto Urucu-Manaus - que terá 670 quilômetros e deverá estar pronto em março de 2008.

"Em dezembro de 2004, participei de uma excursão do Piatam - programa de pesquisa criado para monitorar as atividades de produção e transporte de petróleo e gás natural oriundos de Urucu, província petrolífera em Coari, no Amazonas", contou o engenheiro Ney Robinson dos Reis, do Laboratório de Robótica de Tecnologia Submarina da Petrobras. Fiquei impressionado com a dificuldade dos pesquisadores em sair das estradas naturais, os rios, e chegar à terra firme.

Nessa época o Cognitus, braço tecnológico do Piatam, começou a desenvolver o robô ambiental híbrido. Em setembro do ano passado, durante a seca, foi testado seu primeiro protótipo - a versão menor, com cerca de 60 centímetros. Em maio deste ano, já durante a cheia do Rio Amazonas, a versão mediana (de 1,5 metro) também foi para campo.

"Na excursão de 2004, eu vi um pesquisador coletando larvas na água. Ele estava ali vendo se havia mosquitos, mas corria o risco de ser picado pelo próprio inseto. Eu achei isso uma loucura, porque nesse caso você pode, sem tirar o emprego do homem, dar a ele condições de usar a robótica de uma maneira racional", acrescentou o engenheiro.

O robô ambiental híbrido foi batizado, em julho, de Chico Mendes - em solenidade na presença da filha do líder seringueiro morto, Elenira Mendes. Entre as funções já desenvolvidas pelo robô estão a coleta de larvas de mosquito e a medição parâmetros da água, como acidez, oxigênio dissolvido, turbidez ou aspecto, condutibilidade e salinidade.

Jornal do Commercio - RJ
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