Pela lenda do Boi-Bumbá, conhecida no Brasil de norte a sul, Catirina, grávida, tem desejo de comer a língua de um boi vivo. E não é de qualquer boi, tem que ser um boi bonito, de raça. Pai Mateu, desesperado para realizar o desejo de sua mulher e com medo de que a criança nasça com a boca torta, resolve roubar o boi do coronel mais importante da cidade. O coronel, danado da vida, jura Mateu de morte. Ao longo dos anos em que vem sendo apresentado pelo País, o folclore já ganhou vários personagens para "salvar a pele" do pai abnegado: o curandeiro, o veterinário, o pajé indígena, o feiticeiro.
Mas, na versão teatral que está sendo apresentada desde o último dia 16 no estande da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, quem ajuda Mateu são os cientistas da Embrapa, já que têm a capacidade de clonar o famigerado boi.
Um final feliz para as crianças que acompanham emocionadas o desenrolar da história e mais do que isso: a descoberta de que a ciência pode ajudar, pode fazer parte do dia-a-dia delas. Aliás, este é o objetivo principal do evento, que compõe a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida todos os anos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, com o objetivo de mobilizar a população, especialmente crianças e jovens, para a criatividade científica e a inovação.
A peça, intitulada Brasil: do descobrimento à Vitória é baseada no livro homônimo do técnico da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades da Embrapa, Edvalson Bezerra Silva, lançado em 2003, que conta os avanços da reprodução animal desde a época do descobrimento do Brasil até o nascimento do primeiro animal clonado no País, em 2001, a bezerra "Vitória da Embrapa", hoje com cinco anos e mãe de dois filhos.
A montagem foi escrita e encenada pelo grupo "Narradores Urbanos", de Campinas (SP), e a idéia de associar o folclore à ciência moderna foi a forma que eles encontraram para atrair o público infanto-juvenil e chamar a sua atenção para a importância da ciência na sua vida diária. "Nós só temos 10 minutos para contar a história do livro, que narra em cordel os avanços científicos no Brasil na área de reprodução animal e, portanto, tínhamos que montar uma peça ágil e de fácil compreensão para os jovens", explica Ulisses Júnior, um dos atores.
E deu certo. Em dez minutos, ele e o outro ator, Christian Mathias, conseguem atrair a atenção de milhares de crianças, que visitam a exposição desde o início desta semana. "A peça permite que o público infanto-juvenil tenha contato, ao mesmo tempo, com temas do nosso folclore e com as inovações da ciência e tecnologia moderna", afirma Edvalson Bezerra, autor do livro.
A prova está no depoimento das crianças que assistiram à encenação. Para Gabriela Dias, 8 anos, aluna da Escola Classe da 114 Sul, "a peça é muito legal e ensina a ter respeito pelos animais e pela ciência". Para Vinícius Rodrigues, também com 8 anos e aluno da mesma escola, a lição foi ainda maior: "se a ciência pode ajudar o personagem da peça, pode ajudar a gente também, né?", constata animado.
Para quem ainda não assistiu, a peça Brasil: do descobrimento à Vitória ficará em cartaz até a próxima segunda-feira (23), e é uma ótima opção para levar a criançada neste fim-de-semana. Ela pode ser conferida nos seguintes horários: dia 21 (sábado), às 16h, dia 22 (domingo), às 15h e dia 23 (segunda-feira), às 10h.
(As informações são da jornalista Fernanda Diniz, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia/Cenargen)