Línguas indígenas são preservadas em acervo digital
Projeto pretende recuperar arquivos e registrar línguas ameaçadas de desaparecer
O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT) está digitalizando dados lingüísticos de povos indígenas da Amazônia que fazem parte do acervo do setor de Lingüística, da Coordenação de Ciências Humanas da instituição. Esse processo inclui registros sonoros, fotografias e gravações de vídeo e faz parte do projeto Implementação de um Centro de Documentação Permanente de Línguas e Culturas Indígenas da Amazônia no Museu Goeldi. A iniciativa busca valorizar a cultura regional.
A estruturação do projeto no Museu ocorre em um momento histórico em que civilizações contemporâneas tendem a abandonar idiomas minoritários e em que é necessário desenvolver recursos que sejam capazes de manter preservadas as informações sobre línguas que ainda são faladas.
“Na média, todos os anos uma língua deixa de ser falada no Brasil. Hoje, existem cerca de 160 línguas indígenas no País que estão ameaçadas de desaparecer por motivos vários, como pressão socioeconômica, e pelas poucas pessoas que ainda a falam”, explica Sebastian Drude, pesquisador associado da Coordenação de Ciências Humanas do MPEG. “Este é o momento de gravar, de documentar as línguas que ainda existem, antes que isso não seja mais possível”, completa.
Desde 2000, a coleta é feita sistematicamente, e com tecnologia digital. Para que essas informações não sejam perdidas, por estarem em fitas-cassete, CDs e DVDs e com tendência a não se conservar ao longo dos anos, torna-se fundamental o processo de criação de um acervo central digital das línguas, com registros sonoros e de vídeo. Os arquivos serão agrupados, organizados e disponibilizados (via metadados) conforme critérios que os pesquisadores do Museu irão definir.