Com lançamento previsto para abril de 2010 o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-3) terá boa parte dos equipamentos desenvolvida no País. Entre eles está a câmera multiespectral MUX, projetada e fabricada pela Opto Eletrônica, empresa de São Carlos, no interior paulista, cuja função e fotografar a crosta terrestre.
A câmera representa um importante salto tecnológico para a indústria nacional, porque é a primeira do gênero a ser inteiramente feita no Brasil. As imagens geradas dos territórios do Brasil e da China serão destinadas ao monitoramento ambiental e ao gerenciamento de recursos naturais.
Para conseguir tal feito, a imagem terá uma resolução da superfície terrestre de 20 metros de lado, característica responsável pela nitidez, num parâmetro que não é pouca coisa, levando-se em conta que o Cbers-3 será colocado em órbita a 800 quilômetros de altitude. Isso equivale a enxergar um trem na superfície da Terra ou uma mosca a cerca de 400 metros. A faixa de largura imageada, que é a extensão do território visto em uma linha na imagem, é de120 quilômetros de largura.
"A fabricação da MUX atende à diretriz do programa espacial de fomentar o desenvolvimento de tecnologia de ponta dentro da indústria do País, capacitando nossas empresas para participar de forma competitiva no mercado espacial internacional", diz o engenheiro Mario Selingardi, responsável técnico pelo projeto no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT).
Além disso, a fabricação desse subsistema do Cbers-3 por um parceiro nacional auxilia o País a obter independência tecnológica em áreas altamente sensíveis do ponto de vista estratégico. A fase atual do desenvolvimento da câmera é a de realização de testes funcionais no modelo de engenharia da MUX. Esse modelo é um protótipo que vem antes do modelo de qualificação e do equipamento que efetivamente vai voar. O modelo de engenharia deve seguir em julho próximo para a China, onde passa por testes elétricos na integração com outros sistemas.
Nos experimentos realizados no Brasil a câmera é submetida a ensaios destinados a confirmar se suporta as cargas de lançamento e as condições de temperatura e vácuo no espaço, além de verificar se ela atende aos requisitos de envelhecimento e compatibilidade eletromagnética mantendo seu desempenho funcional. Segundo o Inpe, os ensaios, feitos no Laboratório de Integração e Testes do instituto, mostraram que não houve degradação do desempenho óptico do equipamento. "A câmera tem passado com sucesso pelos testes", informa Selingardi.
A realização desses experimentos é um importante passo na caminhada iniciada em dezembro de 2004, quando a Opto venceu a licitação internacional para fabricação da câmera. A MUX começou a ser projetada já no mês seguinte e a primeira etapa do trabalho (a conclusão do projeto preliminar) ficou pronta no final daquele ano. O projeto preliminar foi composto por mais de 450 documentos e 16 mil páginas.