Ainda neste ano, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM/MCT) lançará um serviço inédito na área de consumo de produtos sustentáveis. O sistema eletrônico permitirá rastrear a origem de peixes ornamentais manejados por população tradicional moradora da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA/Amazonas) e que serão vendidos para os mercados interno e externo. O protótipo do sistema já está funcionando. A primeira coleta de peixes ornamentais para venda está prevista para setembro deste ano. A comercialização de peixes ornamentais é uma alternativa de renda para os moradores da Reserva Amanã, cujas principais atividades de subsistência são agricultura, caça e pesca.
Ao rastrear a origem do peixe ornamental vindo da Reserva Amanã, o consumidor terá a garantia de que a coleta ocorreu de acordo com critérios de sustentabilidade, seguidos por comunidades tradicionais de uma unidade de conservação. Outra vantagem é que nesse modelo as populações poderão receber mais pela venda dos peixes. "Pesquisas comprovam que há consumidores dispostos a pagar mais pelo diferencial de compra apresentado por um produto resultado de processo sustentável", observa o diretor técnico-científico do IDSM, Helder Queiroz.
A estimativa é que o sistema esteja disponível a partir de setembro, mês em que está prevista a primeira coleta manejada de peixes ornamentais pelos moradores de comunidades da Reserva Amanã. Para acessar o sistema de rastreamento, o consumidor deverá informar o número do lote ao qual o indivíduo adquirido pertence, dado que deverá ser fornecido pelo vendedor. Dessa forma, o comprador poderá verificar informações como parâmetros físicos-químicos da água e coordenadas geográficas do local da coleta, entre outras. "Ao garantir a origem sustentável do produto e responder pelo produtor, acreditamos que os próximos elos da cadeia produtiva - os importadores, exportadores e vendedores finais – também possam se interessar em atestar que seu modo de produção também é sustentável", afirma Queiroz.
Este protótipo também poderá ser aplicado a outros recursos manejados vindos das reservas Mamirauá e Amanã, como a madeira e o pirarucu. De acordo com Helder Queiroz, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) solicitou ao Mamirauá a realização de um projeto piloto de sistema de rastreamento com os pirarucus neste ano. Caso seja bem-sucedido, o modelo será proposto para outros locais que fazem manejo de pesca.
Estudos e manejo
O Programa de Manejo de Peixes Ornamentais teve início em 1995, quando foi assinado um convênio com a Petrobras para monitorar cinco espécies de peixes ornamentais: Pterophyllum scalare (acará bandeira), Mesonauta insignis (acará boari), Astronotus ocellatus ( acará – açu), Pygocentrus nattereri (piranha caju) e Osteoglossum bicirrhosum (aruanã branca). Dessas cinco espécies, três são consideradas interessantes para comércio (acará-bandeira, acará boari e aruanã branca). "O projeto identificou mais de 50 espécies que podem fazer parte deste comércio. Neste ano, esperamos lançar o plano de manejo para a exploração sustentável das 20 primeiras", explica.
No final de 1995, o Instituto Mamirauá e a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) firmaram cooperação para o projeto "Uso Sustentável de Peixes Ornamentais", financiado pela Darwin Initiative da Inglaterra. O objetivo geral é proteger a biodiversidade de peixes ornamentais das RDS’s Mamirauá e Amanã, ao implantar um programa de manejo participativo.
Para tanto, o IDSM realizou estudos da cadeia produtiva para a venda de peixes ornamentais, bem como elaborou um plano de negócios para a sua venda, além de pesquisas sobre a biologia reprodutiva e ecologia das espécies selecionadas. Também promoveu cursos de capacitação para os moradores da Reserva que participam do programa, e assessorou a criação da Associação de Manejadores de Peixes Ornamentais, formada por representantes de oito comunidades da RDSA.