Uma abordagem ampla sobre as mudanças climáticas globais e a biodiversidade na Amazônia foi feita pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), Adalberto Luis Val, ontem (15), na conferência Biodiversidade na Amazônia X Mudanças climáticas: causas e conseqüências. A conferência integra a programação da 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Campinas (SP).
Os indícios apresentados por Val mostram que as mudanças climáticas, que ocorrem em nível regional e global, estão afetando muitos ecossistemas. "Na realidade as mudanças climáticas, que de forma geral incluem mudanças nos regimes de temperatura ambiental, chuva e vento, acarretam secundariamente um vasto conjunto de efeitos biológicos, alguns dos quais acabam, de forma circular, contribuindo com mudanças ambientais regionais que intensificam os efeitos das mudanças climáticas tanto em nível regional como global", aponta.
O diretor do Inpa explica que o aquecimento do ambiente aquático, por exemplo, resulta na migração de algumas espécies de peixes para regiões mais frias. O mesmo, segundo Val, ocorre com as populações de algumas espécies de plantas que se movimentam para altitudes maiores. "Isto é, as espécies de plantas começam a migrar para lugares mais altos em busca das temperaturas mais baixas", disse.
Val destacou como os efeitos das mudanças climáticas podem ser opostos, dependendo da biologia, da capacidade adaptativa e da distribuição e ocorrência das espécies nos diferentes ecossistemas. "A velocidade com que essas mudanças estão ocorrendo é superior a todas as verificadas nos últimos dez mil anos", disse.
De acordo com o diretor, estudos indicam que se as taxas de desmatamento atuais forem mantidas, entre 2% e 8% das espécies desaparecerão nos próximos 25 anos, e pelos menos 30% de toda a diversidade biológica existente no planeta sofrerão algum impacto.