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60ª Reunião da SBPC - 17/07/2008 - 12:51
Parlamentares e cientistas apoiam aumento no números de doutores na região Norte
A revisão da Carta de Belém, com o compromisso de cientistas e parlamentares de dobrar o número de doutores na região Norte, foi o principal resultado da sessão especial da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional (CAINDR) da Câmara dos Deputados, realizada na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.

Elaborada por parlamentares e cientistas na reunião da SBPC no ano passado, na capital paraense, a Carta de Belém é um documento com propostas para ampliar a pesquisa e o número de cientistas na região Norte. Pela nova redação, o objetivo é chegar a 2011 com 7 mil doutores. “O desconhecimento sobre a Amazônia acarreta conseqüências nefastas, como a biopirataria e a perda de divisas”, ressalta a deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), presidente da CAINDR.

Na abertura do debate, realizado na tarde de ontem (16), o presidente da SBPC, Marco Antônio Raupp, destacou que esta é a segunda vez que a CAINDR participa de uma edição da reunião anual da entidade e chamou a atenção para a importância de se ampliar o conhecimento científico sobre a região Norte. Além dele, o físico e ex-presidente da SBPC, Ênio Candotti, defendeu com entusiasmo a aceleração da formação de pesquisadores no Norte brasileiro e argumentou que a floresta em pé sempre vale mais do que riquezas provenientes do extrativismo e do desmatamento. “A produção sustentável de biofármacos, que dispensa o desmatamento e se apresenta como alternativa à indústria madeireira, é um exemplo”, disse.

Entrevista
A senadora Marina Silva (PT-AC) compareceu à Unicamp à noite e, em coletiva à imprensa, defendeu a construção de novas universidades e de instituições técnico-científicas associando o ensino à pesquisa em tecnologia. Marina Silva apoiou as soluções apontadas por parlamentares e a comunidade científica na sessão especial da CAINDR, destacando o fortalecimento da pós-graduação e de redes de informação na Amazônia. A senadora enfatizou que não basta, porém, intensificar o conhecimento científico. Para ela, as práticas de participação social na região são tão importantes quanto à produção científica.

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) tem três unidades de pesquisas na Amazônia: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). Elas atuam em dezenas de linhas de pesquisa em ciências naturais, exatas e humanas, e mantêm mais de 20 cursos de mestrado e doutorado.

Entre 2003 e 2007, considerando-se apenas os principais instrumentos de financiamento do MCT, que são os fundos setoriais, bolsas de estudo e fomento à pesquisa, os investimentos do ministério na Amazônia Legal foram superiores a R$453 milhões, significando um crescimento de 326%. De janeiro a maio de 2008, os recursos aplicados em bolsas de estudos na região cresceram 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo o valor total de R$ 9,444 milhões.

Débora Pinheiro - Assessoria de Comunicação do MCT
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