Igarapés localizados em áreas que passam por Manejo Florestal de Baixo Impacto (MFBI) registram maior quantidade de peixes. A conclusão é de um estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) que indica que este tipo de manejo provoca menos danos aos peixes em relação a outras atividades madeireiras.
Em um das áreas pesquisadas, a presença de um peixe popularmente conhecido como "acará" foi cinco vezes mais abundante nos igarapés após a área ser manejada. Em longo prazo, as espécies das áreas manejadas apresentaram mais indivíduos quando comparadas às espécies de outras áreas controladas, apesar da composição de espécie presente em ambas as unidades ser parecida.
O manejo florestal de baixo impacto (MFBI) é uma forma de exploração madeireira que visa a diminuir a área de floresta danificada através de técnicas e critérios rígidos. Assim, as árvores remanescentes sobrevivem e são capazes de gerar indivíduos jovens que ocuparão a área de onde a tora foi retirada.
Mas o que o manejo florestal tem a ver com os igarapés e os peixes? Os igarapés (ou riachos) são pequenos corpos d’água que drenam a água da floresta para os principais rios. Por serem sombreados pela floresta, os igarapés e seus organismos dependem da matéria orgânica que cai da floresta. Por causa dessa estreita relação, uma alteração na floresta é sentida também pelos organismos que vivem nos igarapés.
Pensando nisso, os pesquisadores do Inpa, Murilo Dias, William Magnusson e Jansen Zuanon realizaram um estudo para quantificar os danos causados pelo MFBI nos igarapés e seus possíveis efeitos sobre os peixes. Os autores compararam igarapés antes e depois do manejo (efeitos em curto prazo) e igarapés em áreas manejadas e não manejadas (efeitos em longo prazo). O trabalho faz parte dos projetos Igarapés, coordenado por Zuanon, e PPBio, coordenado por Magnusson.
Estudos em outros países revelaram que a remoção da floresta adjacente aos igarapés causa uma grande perda de espécies de peixes. Porém, o estudo realizado por Murilo e colaboradores evidenciou que o MFBI, se bem conduzido, minimiza os efeitos negativos da extração madeireira sobre os igarapés, pois os efeitos encontrados foram menos danosos comparados às outras práticas florestais comuns na região, como o desmatamento.